Minha visão poética de Porto Alegre

por Patrícia Belmonte *

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Porto Alegre é a capital do estado mais meridional do Brasil, o Rio Grande do Sul. Terra do Laçador, monumento que recepciona a todos na entrada da cidade. Também é conhecida por muitos pela beleza de um por do sol inigualável, que pode ser apreciado a beira do Lago Guaíba, popularmente conhecido como Rio Guaíba.
Detentora de muitos prêmios e títulos que a distinguem como uma das melhores capitais brasileiras para se viver.
Uma cidade de grande diversidade cultural e que preserva com muito orgulho suas tradições folclóricas e um considerável patrimônio histórico de construções centenárias, como a belíssima Casa de Cultura Mário Quintana, o antigo hotel Majestic, onde viveu o poeta.
É berço de grandes nomes difundidos pelo Brasil e exterior em várias áreas, da Literatura a Ciência.
Envolta na virtuosidade desta cidade na qual nasci me rendo às palavras para compor poemas, textos e citações.
Abaixo segue um de meus poemas escritos durante uma excursão pelas lembranças dos lugares em que encontro aconchego para apreciar as belezas que ainda nos restam e as quais nos cabem preservar.

O lugar em que habito é berço de muitas moradas
Abraça irmãos, calorosamente,
Que vem chegando desde os primórdios
Advindos de outras alvoradas.
O por do sol acolhedor
Que resplandece a beira do grande lago
Traz em si o opulento fascínio
De uma cidade encantada
Onde a coragem dos homens renasce esperançosa a cada passo de sua jornada.
Na devassidão do mundo
Preservamos a essência de um povo
Plantamos sementes pelos caminhos
Pintamos de verde a nossa estrada
E assim mantemos a beleza de uma cidade arborizada.
Somos o grandioso hotel do poeta
Moradia de palavras e sonhos
Onde o magnetismo da liberdade cultural nos enleva
Abrem-nos as portas da inspiração,
De um gaúcho espectral, idealista, romântico e teórico,
Que em poucas palavras nos ensinou que todos aqui passarão,
Mas que só a liberdade dos sonhos poderá nos fazer passarinhos.
Faço do meu porto mais alegre e convido todos a chegar
Pois é na roda de chimarrão que nós, gaúchos,
Preservamos nossa união.

* Estudou Comunicação Social, Publicidade e Propaganda, Letras, Língua Portuguesa e Literatura

O menino que carregava água na peneira

Por Manoel de Barros *

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Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.

A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e
sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.

A mãe disse que era o mesmo
que catar espinhos na água.
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces
de uma casa sobre orvalhos.

A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio, do que do cheio.
Falava que vazios são maiores e até infinitos.

Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito,
porque gostava de carregar água na peneira.

Com o tempo descobriu que
escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.

No escrever o menino viu
que era capaz de ser noviça,
monge ou mendigo ao mesmo tempo.

O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor.

A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!
Você vai carregar água na peneira a vida toda.

Você vai encher os vazios
com as suas peraltagens,
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!

* Poeta