O outro lado de uma cidade

Por Patrícia Belmonte*

received_1731160980483557

Andando pelas ruas da cidade de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, infelizmente não sou acolhida somente pelas suas belezas, paisagens e ruas arborizadas. Existe um contraste impiedoso que chama muito a atenção e que causa grande transtorno aos moradores desta, diante da falta de priorização a estes problemas. Um lado devastado, triste e que tem exigido da população uma incessante batalha em busca de resoluções perante aos órgãos responsáveis pela cidade.

Atualmente um dos principais problemas que encontramos é a expansão do sistema viário que vem provocando a remoção de muitas espécies vegetais de porte, que fazem parte do nosso rico patrimônio ambiental. Isso é consequência do grande aumento da frota de veículos, que têm seguido o ritmo das grandes metrópoles, diante ao número limitado de vias. São muitas obras em andamento que se estendem por um prazo longo afetando a mobilidade urbana e transformando a cidade em um verdadeiro caos, principalmente nos horários que conhecemos como “horário de pico”, onde o fluxo é muito maior, aumentando assim, consideravelmente, a poluição e o stress.

Uma das alternativas viáveis seria a construção de mais ciclovias. O uso das ciclovias é uma questão cultural, usada primordialmente em países mais desenvolvidos. Essa é uma resolução que depende muito da vontade pública e da postura de seus gestores diante ao ganho social que estas trariam a população.

Outro grande problema que nos deparamos é o da iluminação pública, enfrentei há pouco tempo à dificuldade de manutenção de algumas lâmpadas queimadas nos postes da minha rua, na zona sul de Porto Alegre, deixando-nos em um grande breu quando anoitecia. Ligamos, eu e outros moradores, incansáveis vezes ao departamento responsável pela iluminação pública que nos prometia resolução da questão, mas apesar da nossa insistência por um direito que é nosso e ao qual pagamos, só obtivemos o problema sanado depois de vários meses, sendo que dentro deste período ocorreram números ainda maiores de assaltos e roubos que eram facilitados pela escuridão.

Já falando sobre segurança, este é um assunto que nos preocupa imensamente. O que nos deparamos é com um gradual e acelerado crescimento da violência e não vemos nenhum plano nem projeto de Segurança Pública para enfrentar essa criminalidade. Percebemos uma grande inversão de valores onde os trabalhadores, os cidadãos de bem que pagam seus impostos e lutam por uma igualdade social têm pagado um preço alto demais.

O importante é que seja entendido pelos governantes que a Segurança Pública e a Saúde lidam com vidas e quanto a isso é inquestionável a priorização de soluções imediatas dos problemas. É urgente a necessidade de uma grande mudança por parte dos responsáveis.

Poderia seguir relatando diversos problemas mais que enfrentamos na nossa Porto Alegre, diante disso tudo, nem tão Alegre assim. Atualmente, entendo que os problemas se expandem nacionalmente, na questão da violência, até mesmo mundialmente perante esses ataques que temos visto com frequência pelo mundo, mas acredito que a mudança começa do pequeno até alcançar o grande.

Se cada cidade, estado, país e principalmente as pessoas como seres humanos, buscarem uma compreensão maior dos nossos problemas, das causas e possíveis resoluções, e também passarem a compreender que esse não é um problema individual e sim coletivo, onde precisamos pensar na massa e não apenas somente em si já estaremos abrindo um novo caminho.

O conhecimento e a união são forças imprescindíveis a resolução dos problemas.

* Estudou Comunicação Social, Publicidade e Propaganda, Letras, Língua Portuguesa e Literatura

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *