O outro lado de uma cidade

Por Patrícia Belmonte*

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Andando pelas ruas da cidade de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, infelizmente não sou acolhida somente pelas suas belezas, paisagens e ruas arborizadas. Existe um contraste impiedoso que chama muito a atenção e que causa grande transtorno aos moradores desta, diante da falta de priorização a estes problemas. Um lado devastado, triste e que tem exigido da população uma incessante batalha em busca de resoluções perante aos órgãos responsáveis pela cidade.

Atualmente um dos principais problemas que encontramos é a expansão do sistema viário que vem provocando a remoção de muitas espécies vegetais de porte, que fazem parte do nosso rico patrimônio ambiental. Isso é consequência do grande aumento da frota de veículos, que têm seguido o ritmo das grandes metrópoles, diante ao número limitado de vias. São muitas obras em andamento que se estendem por um prazo longo afetando a mobilidade urbana e transformando a cidade em um verdadeiro caos, principalmente nos horários que conhecemos como “horário de pico”, onde o fluxo é muito maior, aumentando assim, consideravelmente, a poluição e o stress.

Uma das alternativas viáveis seria a construção de mais ciclovias. O uso das ciclovias é uma questão cultural, usada primordialmente em países mais desenvolvidos. Essa é uma resolução que depende muito da vontade pública e da postura de seus gestores diante ao ganho social que estas trariam a população.

Outro grande problema que nos deparamos é o da iluminação pública, enfrentei há pouco tempo à dificuldade de manutenção de algumas lâmpadas queimadas nos postes da minha rua, na zona sul de Porto Alegre, deixando-nos em um grande breu quando anoitecia. Ligamos, eu e outros moradores, incansáveis vezes ao departamento responsável pela iluminação pública que nos prometia resolução da questão, mas apesar da nossa insistência por um direito que é nosso e ao qual pagamos, só obtivemos o problema sanado depois de vários meses, sendo que dentro deste período ocorreram números ainda maiores de assaltos e roubos que eram facilitados pela escuridão.

Já falando sobre segurança, este é um assunto que nos preocupa imensamente. O que nos deparamos é com um gradual e acelerado crescimento da violência e não vemos nenhum plano nem projeto de Segurança Pública para enfrentar essa criminalidade. Percebemos uma grande inversão de valores onde os trabalhadores, os cidadãos de bem que pagam seus impostos e lutam por uma igualdade social têm pagado um preço alto demais.

O importante é que seja entendido pelos governantes que a Segurança Pública e a Saúde lidam com vidas e quanto a isso é inquestionável a priorização de soluções imediatas dos problemas. É urgente a necessidade de uma grande mudança por parte dos responsáveis.

Poderia seguir relatando diversos problemas mais que enfrentamos na nossa Porto Alegre, diante disso tudo, nem tão Alegre assim. Atualmente, entendo que os problemas se expandem nacionalmente, na questão da violência, até mesmo mundialmente perante esses ataques que temos visto com frequência pelo mundo, mas acredito que a mudança começa do pequeno até alcançar o grande.

Se cada cidade, estado, país e principalmente as pessoas como seres humanos, buscarem uma compreensão maior dos nossos problemas, das causas e possíveis resoluções, e também passarem a compreender que esse não é um problema individual e sim coletivo, onde precisamos pensar na massa e não apenas somente em si já estaremos abrindo um novo caminho.

O conhecimento e a união são forças imprescindíveis a resolução dos problemas.

* Estudou Comunicação Social, Publicidade e Propaganda, Letras, Língua Portuguesa e Literatura

Minha visão poética de Porto Alegre

por Patrícia Belmonte *

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Porto Alegre é a capital do estado mais meridional do Brasil, o Rio Grande do Sul. Terra do Laçador, monumento que recepciona a todos na entrada da cidade. Também é conhecida por muitos pela beleza de um por do sol inigualável, que pode ser apreciado a beira do Lago Guaíba, popularmente conhecido como Rio Guaíba.
Detentora de muitos prêmios e títulos que a distinguem como uma das melhores capitais brasileiras para se viver.
Uma cidade de grande diversidade cultural e que preserva com muito orgulho suas tradições folclóricas e um considerável patrimônio histórico de construções centenárias, como a belíssima Casa de Cultura Mário Quintana, o antigo hotel Majestic, onde viveu o poeta.
É berço de grandes nomes difundidos pelo Brasil e exterior em várias áreas, da Literatura a Ciência.
Envolta na virtuosidade desta cidade na qual nasci me rendo às palavras para compor poemas, textos e citações.
Abaixo segue um de meus poemas escritos durante uma excursão pelas lembranças dos lugares em que encontro aconchego para apreciar as belezas que ainda nos restam e as quais nos cabem preservar.

O lugar em que habito é berço de muitas moradas
Abraça irmãos, calorosamente,
Que vem chegando desde os primórdios
Advindos de outras alvoradas.
O por do sol acolhedor
Que resplandece a beira do grande lago
Traz em si o opulento fascínio
De uma cidade encantada
Onde a coragem dos homens renasce esperançosa a cada passo de sua jornada.
Na devassidão do mundo
Preservamos a essência de um povo
Plantamos sementes pelos caminhos
Pintamos de verde a nossa estrada
E assim mantemos a beleza de uma cidade arborizada.
Somos o grandioso hotel do poeta
Moradia de palavras e sonhos
Onde o magnetismo da liberdade cultural nos enleva
Abrem-nos as portas da inspiração,
De um gaúcho espectral, idealista, romântico e teórico,
Que em poucas palavras nos ensinou que todos aqui passarão,
Mas que só a liberdade dos sonhos poderá nos fazer passarinhos.
Faço do meu porto mais alegre e convido todos a chegar
Pois é na roda de chimarrão que nós, gaúchos,
Preservamos nossa união.

* Estudou Comunicação Social, Publicidade e Propaganda, Letras, Língua Portuguesa e Literatura

Fragmentos

De maneira irreverente, Fragmentos traz ao leitor uma reflexão crítica de situações do cotidiano – lugar onde tudo acontece, do individualismo, desse mundo globalizado regido que está pela hipocrisia dos mercados…, mostrando, ao mesmo tempo, a urgência de um olhar amoroso para o outro e o seu acolhimento. Na vida humana, as escolhas não são simples, é difícil discernir com clareza – quando se tem algumas possibilidades e poucas certezas. Fragmentos funciona como uma bússola ética que, sem perder de vista sua aplicação prática, questiona comportamentos contemporâneos.

 por André Portella *

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Julgamento oportunista

Elogiamos ou censuramos, a depender de qual nos dá mais oportunidade de fazer brilhar nosso julgamento. Oportunismo cabe aos vaidosos em sua maioria.

 Pensar ou subserviência

O pensamento liberta a alma, a ignorância e a subserviência. Imaginemos se a sociedade pensasse, o que seria do REI.

 Espadachim

Gosto dos valentes, mas não basta ser um espadachim: também é preciso saber a quem ferir. E, muitas vezes, abster-se demonstra mais bravura, reservando-se para um inimigo mais digno.

Monstros

Quem luta contra os monstros deve ter cuidado para não se transformar em um deles.

Compas

Preciso de companheiros, mas de companheiros vivos, não de cadáveres que eu tenha que levar nas costas por toda parte.

*Professor escritor
Pós graduado em Ciências Sociais
Mestre em  Engenharia Ambiental/Sanitário